segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Complexidade # 20


Em abril do ano passado, encerrei um post aqui com a seguinte consideração:

Na costumeira contagem das complexidades do blog, pulei a Complexidade # 20. Na verdade, pretendo deixá-la para o aniversário de 20 anos, que desde já tem me gerado as crises que tanto divido por aqui. Aguardo ansiosamente por escrevê-la... e aguardarei até outubro.
Acontece que este foi um texto que nunca escrevi... Agora me pego aqui, lembrando disso, me despedindo desta idade que me passou sem que eu me desse muita conta. Me pego aqui, cara a cara com os meus 21 anos, uma idade que não me despertou tanto sofimento antecipado, uma idade de que ainda não me dei conta direito (nem parece que é meu aniversário), mas principalmente: uma idade que chegou. E uma idade que vem carregada de desafios.


Talvez tudo isso me pareça muito emblemático por causa da voz incansável e repetitiva do meu pai ressoando na minha cabeça: "olha, moleque, meu compromisso com você é só até os 21, viu?" - e na escrita eu não conseguirei reproduzir a entonação com que ele me diz isso sempre... mas só gostaria de destacar que isso, por mais duro que parecesse, nunca foi dito sem um quê de carinho lá no fundo.

Meu pai, junto com a minha mãe, fez de mim alguem de sonhos altos e vôos distantes.
E acho que foi só isso que ele quis sempre.

Como no dia em que passei no vestibular, e ouvi ele dizer um inesquecível "sua vida começa agora. Vá de Viçosa para mais longe"... Ou como quando me diz que tudo que ele e minha mãe constroem juntos é apenas para os dois, e não para mim e para os meus irmãos. Que se nós quisermos, que construamos nós mesmos as nossas vidas - mas o mais importante é saber que ele sempre estará lá pra ajudar. Minha mãe também, que uma vez me contou dos sonhos que durante a vida ela teve pra mim. Disse que sonhou que seria ser muita coisa, até artista. Mas que hoje ela sonha os meus sonhos. E que quer apenas que eles se realizem para que eu possa ser feliz.

E aí eles dizem: "Nunca se esqueça de que você tem um pai e uma mãe". Dizem sempre. Sempre mesmo.

E agora, as lágrimas que me vêm enquanto escrevo, apesar de embaçarem as vistas, parecem ir clareando que funcionava tudo como se eles me preparassem toda a vida para a coisa estranha que sinto agora: é como se eu fosse definitivamente adulto. Não mais um menino bem grandinho, que por ser bem grandinho já pode assumir uma ou outra responsabilidade, mas um adulto. De verdade. Precisando ter mais maturidade do que nunca, precisando levar a própria vida mais do que nunca, precisando assumir os resultados de tudo o que fui e fiz até hoje.

E não me consta ter ouvido os meus pais dizerem que seria fácil.
Nota mental: agradecer a eles por isso.

E agradecer também a todos e todas com quem cheguei aqui... todos que fizeram parte dos meus processos todos, das minhas crises todas, dos meus amadurecimentos todos, que deixaram uma lasquinha de si na minha história por todos os recantos onde eu passei.

Enfim, tudo o que me vem agora é uma doideira sem tamanho, que eu ainda não consigo processar direito, e que não conseguiria descrever. Me coloco neste texto apenas para revisitar alguns dos caminhos que tracei desde sempre, entender um pouco de como a minha história me constroi, e tentar organizar na cabeça as consequências de uma única certeza: como sempre, continuar o caminho será desafiador.

Que Deus me dê de presente bênçãos, para que eu possa distribuí-las entre os que amei e que me amaram. E entre os que não amei nem me amaram também.
E que me conceda a alegria de trilhar os meus caminhos sempre acompanhado por eles e elas... sempre com elas e eles, partilhando os sorrisos...

E assim, esta é a Complexidade dos meus 20 anos. Uma complexidade para despedir-me deles.
Feliz aniversário, Mú.

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